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Dar de Ombros.

fevereiro 13, 2014

Uma cadeira descansa no canto admirando o vazio do quarto. As vezes sobe o olhar pela janela e tenta ver lá fora, depois do muro, em silencio. Camuflada na cor da parede pra passar despercebida de ser trocada pela ausência. Suas pernas largas encostadas em livros não se deixam desfalecer. Se apóia nos fechados, segura os abertos e vai derramando as palavras devagar na corrente de vento.

No armário, as lembranças empilhadas em ordem cronológica se misturam com as roupas e restos de ser. Como as portas estão sempre fechadas, suas cores escorrem furtivamente pelas frestas, saem de soslaio pelo vidro aberto e levam um pouco do colorido das paredes, também.

O sol entra leve e reflete os tons alegres das tardes no são das páginas tão brancas. A lua disfarçada por entre as luzes dos postes observa discreta enquanto suas estrelas desfilam a noite em seus grupos solitários sugerindo a companhia. O vão entre os dias esconde segredos libidinosos no desabitado das ruas.

O dar de ombros. Quem sabe o que há lá fora?

O medo, paulatino em sua paciência, cerra a porta com o cuidado de não ser notado, põe-se na cadeira e se entrega às entre capas.

O que não é abstrato foge ao controle.

Mas o tempo, talvez, foge sem volta.

Inconsequência.

maio 9, 2013
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Imagem é tudo o que resta, o simples resultado da reação de olhar e o que se pensa disso. Palavras desperdiçadas, proferidas ao nada, perdidas para sempre na volatilidade de um momento passageiro, como se desperdiçado, como se refletindo todo o resto que se é. Discursos de um vazio tão grande quanto se pode imaginar, um iceberg revelando o que há abaixo de sua gentil amostra que vaga inofensiva e sem destino pelo horizonte, se desfazendo em pedaços em meio seu próprio fundamento vão.

A resposta direta do contato a aspectos cuidadosamente moldados, uma mentira prolongada pela vida, uma série de caráteres descartáveis, oportunos. Dias sem fim e repetidos ao infinito dedicados ao reversível fenômeno de alguns segundos. O triste resumir de toda uma humanidade em poucas palavras.

Relações externas tão admiráveis, perfeitas como uma extensão do próprio trabalho da natureza, influente, mantem o nobre o porte das palavras perfeitas em momentos que aparentam ter sido sincronizado pelo destino, como um sábio, mestre no guiar dos rebanhos cegos que povoam sua jurisdição burocrática sem escolha. Tão admirável como se merecendo e talvez concorrente com reais chances de um título histórico.

E relações internas nulas. Um sítio sombrio desconhecido, um acelerador de particulas esperando especialistas, um território de valor histórico esperando explorador. Um afastamento de si mesmo mantido pela ignorância ao conhecimento. Sentimentalmente apegado à confortável superfície, inconscientemente conduzido a um frigorífico.

Feliz, radiante.

Reflexo.

abril 25, 2013
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Perdas inaceitáveis e enigmáticas, características dos segredos indistintos da vida habitam vividamente seu passado distante e inexorável, tão inalcançável quanto a sua influência sobre a tempestade impetuosa que cai sobre seu corpo frágil e pequeno, desprotegido contra os gélidos ventos que punem com atrocidade seus imprudentes erros cometidos sem intenção, imperdoáveis.

O escuro do abismo entre os últimos suspiros da última esperança e o que se diz concreto te assustam tanto quanto a partida do último trem que corta a noite vazia e inabitada, onde o abandono e as fraquezas te são companheiros inseparáveis e tuas memórias insensíveis explodem em forma de espíritos e fantasmas que se alimentam veementemente do medo e acusam sua natureza suave de harmoniosas melodias inatas e sublimes da natureza com manchas ruidosas do seu pecado de crer em palavras belas e aprazíveis… insinceras.

Deleitáveis palavras proferidas por detrás de duvidosas máscaras.

Tempos bons os deixados para trás, condenados à terrível pena de jamais retornarem. Parcerias inseparáveis, momentos únicos e eternos amores, acabados. Fragmentos de si espalhados pela vida. Como se tornando às cinzas, como se flamejando a vida, novamente. Como se trespassando o sheol, graciosamente por inerência.

Inabalável.

De um olhar que rejeita a inconstância, sólido de contestar à própria fragilidade. Escuro, indecifrável como a lógica que rege a aleatoriedade, porém compreensivo, talvez irônico, mas aconchegante como um casebre quente em meio aos montes invernosos e agradável como o vento nos campos verdes em veraneio.  Íntegro, confiante, contradizendo as gotas de sofrimento que vertiam de seus olhos em outros tempos não distantes.

Bela como a simetria perfeita, um compasso de sons equilibrados ao longo de uma partitura tocada melodiosamente com os sentimentos singulares de um músico virtuoso, o canto isolado e distinto dos canários pelo longo e tímido amanhecer do dia mais magistral. Um quadro variante ao passar do tempo de beleza exímia e profunda, como uma fruta de textura homogênea e constante que ao se abrir revela um interior de cores fortes e notáveis, de gosto discreto e duradouro.

Palavras imperfeitas se desvanecem em sua própria insignificância vil ao se proporem a descrever-te a companhia doce, que o tempo devaneia em parar e observar e sentir o seu calor cortês, em que os dias se tornam longos e as noites belas sob o admirar da lua, e a voz de seus discursos sagazes e elegantes como as cores dos pássaros a decorar o céu e as arvores das primaveras, que entretém com a perspicácia de sua astuta inteligência.

Mas seu mal permanece na insistência natural de manter tão vívidas as lembranças de tua essência sutil, tão inevitavelmente encantadora.

Meu Reflexo.

abril 12, 2013
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De natureza não sincera e verdades impostas, não empunhado nem ao menos com o direito de usar o imperativo, duvidoso das próprias atitudes, que manifesta surpresa ao olhar pra dentro si. Manipulador da ordem natural do fluxo dos eventos da vida pelo simples sentimento de superioridade, falso, assombrosamente deplorável.

E então perdesse a poesia, da minha presença as palavras se retiram e adormecem, restando o vão do meu ser desinibido de toda falsidade protetora.

Mais uma vez deixado sozinho a me afogar na hipocrisia do meu ego, sem belezas imensuráveis para me esconder por trás e assumir pra mim o seu brilho.

Deixando nu à realidade relativa da maioria, o miserável ser que se define em mim.

War Diary #4

fevereiro 7, 2013
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A inconstância, pouco a pouco toma conta de nossas vidas! Mas enfim, lá vai mais um “capitulo” de War Diary!

Ah! Os anteriores estão bem aqui, no aqui.

Unholy

Laying on the battlefield soil compound of blood and suffering of all times’ frightened and dizzy souls, staining my skin by the disgusting result of dust moisted with my sweat and the rests of enemy’s soldiers I killed, with all this boiling by the beautiful, brightly and unfair sun whose shine is above us and the good people.

We deserve no more than a sad grey, fire and missile colored sky.

Filling my thoughts with the uncertainty why my unholy strategies of carnage, rape and abasement stopped bothering me, wondering maybe it’s due my unfaithful war induced nature or that perhaps God doesn’t even exist or yet maybe it’s all the same thing at all, I, in an instantly unwarned inside look, found in myself, a little quantity of what you may know as: joy.

Buildings make me sad: so deeply bored. They’re imaginably tall but still so unreachable if you don’t get into, and It use to make so depressed to get involved. Buildings got architectly monotone over time, and so their indoor, and so what are distributed all over its indoor. And they used to populate the city, for my lucklessness.

Every single block.

That’s why, even if hope’s been so distantly swept away from all these damned aimlessly lifed unnamed soldiers, even if the most merciful attitude it’s been killing avoiding to shot in one face, even if I sleep every single night smelling like civilians blood, it’s been, I’d say, awfully blissful.

When have I got so unholy?

Sem Luz.

dezembro 6, 2012
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Em noites intermináveis velam-se túmulos enfadados, em espera. Em um ultimo desespero infindável do acreditar em vão, de um ultimo apego ao volátil e passageiro, como sem saída, como sem recursos, alimenta-se cavalos velhos e mancos para um conduzir guiado a cães cegos e cansados. Um último disparo na escuridão como se recorrendo à companhia instantânea e ensurdecedora, confiante no destino incerto da aleatoriedade.

Um ultimo salto no abismo.

Orações sem fé, perseverar sem esperança. O desespero.

Caminhos perdidos e sem início, de sonhos impossíveis e relutantes em se manterem lembrança. Dolorosamente inalcançáveis lembranças perdidas. E então o nada. Nada, a curiosa natureza que preenche a ausência de tudo. Quase tudo, ainda resta mediocridade do falso sofrer. E então a busca de segurança no vagar sem rumo, se enganando, como se embebedado ao ponto inconsciente o bastante para uma completa fuga ao que não é concreto, na incerteza dos valores e seus significados.

Se ainda restam significados.

De saudosos momentos inexistentes, o consolo em memórias integramente tristes. A falta de ingenuidade, o conhecimento excessivo. Que não pra tanto, porém excedente ao necessário. E que destrói. A falta dos dias passados nunca melhores: dias de ignorância, dias de estupidez, dias de pecados imperdoáveis.

Limitados dias de eternos amores.

E a falta de hipocrisia.

Quando todo esforço é vão. Quando o todo é realmente tudo. Quando o que resta é o incessante e o enfado. Quando o horizonte dos outros tempos se afasta ao inimaginável. Quando o limite da abstração não é o bastante para resolver.

Quando o olhar pra cima não vê além das paredes altas.

Sand Castles.

setembro 4, 2012

My journey is ongoing, at the same time I’m not traveling.  Trapped in a moor, slowly falling down, there’s no way back, but I never expected it to have. You know when you’re unpatterned, you become so easy to be haunted, but there’s also no better place to hide then your mind.

Guess why sometimes I subjectively call for a home, traces of memories I can’t actually remember bring me good times, but the discrepancy to how I’m makes me sad, so sad I regret I ever cared to all of knowledge is about. Ingeniousness is safety, nobody told me that. Nobody told me it’s an one way trip.

But they told me I had chance. Too late, though.

Something was always going on and I didn’t get it. I never used to be so familiar with society’s mutual secret code, that’s why I think they told me, told me something about myself I couldn’t know, but I should. I’m wondering about it yet. They were all in constant war for reaching the other side, where they call a kind of oasis, but I’ve been there before. And it’s all so empty, so dead. But It’s quite reasonable for them, if you get a small aquarium, you’ll need smaller fishes.

You know, outside is such a risky place, that’s why I’m keep myself hidden in a fortress, in my sand castle.

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